Cordão

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O cordão franciscano nasceu ao mesmo tempo que o próprio estilo de vida franciscano. Francisco deu o passo final na sua conversão difícil, que durou vários anos, ao encontrar o que Deus queria dele, ao ouvir o Evangelho. Era 01 de fevereiro de 1208, quando, com uns 26 anos, ouvira as palavras que Jesus disse a seus discípulos quando os enviou a a pregar, e que lhes dissera que não precisavam de nada para o caminho, “nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão… “ (Mt 10,10).

Depois de uma reflexão oportuna, ele entendeu que o Senhor finalmente havia lhe mostrado o caminho que deveria seguir e, rapidamente partiu. Para isso, ele tirou o cinto de couro e colocou uma corda em volta da cintura. Esta mudança é especialmente significativa, considerando que o cinto era uma peça essencial na roupa medieval, porque faltavam bolsos nas roupas. Os cintos tinham uma série de fivelas que eram usadas para transportar coisas; dos sacos aos comerciantes, aos carimbos e canetas dos notários. Era uma vestimenta que, além de ser funcional, dava status e segurança, e era o reflexo daquela sociedade do início do século XIII, na qual o comércio com o Oriente, fruto das cruzadas, dera valor ao dinheiro que até então não havia tido.

Os homens daquela época estavam tão imersos em seus negócios que não tinham tempo para Deus. Portanto, com esse gesto, Francisco depositou sua confiança no Senhor e isso o fez livre para segui-lo, de modo que seu antigo cinturão não passava de um impedimento, uma ferramenta que atava os homens do seu tempo aos seus negócios e lucros.

Referindo-se a essa mudança, Francisco convenceu o cavaleiro Angel Tancredi, que mais tarde se tornaria um de seus companheiros mais fiéis: “Por muito tempo você usa cinto, espada e esporas; É necessário que você troque o cinto pela corda, a espada pela cruz e as esporas pelo pó da estrada. Vem e segue-me, porque eu te farei cavaleiro de Cristo” .

Os três nós do cordão franciscano simbolizam a obediência, a pobreza e a castidade; três votos que têm como fim, não permitir que nada possa no afastar de Cristo. Deste modo, a pobreza ajuda a não sermos escravos do dinheiro, tendo apenas Deus como riqueza; a obediência é a liberdade de seguir a vontade do Pai; e a castidade é o meio de não centrar o amor em uma pessoa, mas em todos.

O cordão franciscano é, em suma, um símbolo da pobreza evangélica e do seguimento radical a Jesus Cristo.

Fonte: www.caminodeemaus.net